domingo, 23 de outubro de 2016

IZIDORA 99


(Orientação enviada pela minha gurua política Mirtes)


Nem goleiro, nem cartola. Meu voto é Izidora.

O segundo turno das eleições em Belo Horizonte é uma grande piada de mau gosto. De um lado, o goleiro de futebol que fez carreira política junto com a turma do helicóptero. Do outro, mas do mesmo, está o cartola de futebol, falastrão e populista, que diz que não é político. O primeiro é apoiado por Aécio e pelo vice-governador de Minas. O segundo, só lançou sua candidatura após o aval do mesmo senador e conta com a simpatia do time do governador Pimentel. Os dois representam a profunda desconexão entre figurinhas repetidas da política institucional e as urgências da sociedade.

Nesse cenário mal-assombrado, não vale gastar nosso tempo dissecando eventuais e mínimas diferenças entre os projetos. Temos mais o que fazer.

Porque nenhum deles vai sequer arranhar os anseios e urgências da maioria das pessoas, que contrariem o interesse econômico daqueles que os financiam. Vão perpetuar os aumentos absurdos da tarifa de ônibus, para abastecer o bolso de meia dúzia de empresários. Vão continuar a dilapidar terrenos públicos, em prol de outros amigos.

Vão se alinhar ao presidente ilegítimo nos cortes dos direitos sociais, na venda do pré-sal, no limite dos gastos com saúde e educação, em prol de manter banqueiros e rentistas felizes.
Contra os mesmos representantes do poder, apoiamos a candidata dos 99%. Nem goleiro, nem cartola. Nosso voto é Izidora.

Queremos Izidora nos debates

Izidora Leonina Kambiwá é mulher negra, indígena, parteira e quilombola. Pratica uma cultura de resistência e tradição que respeita a natureza e as outras pessoas. Ama a todos e não se encaixa nas categorias de gênero. É a candidata do direito irrestrito à moradia, da valorização da educação e saúde públicas, do nascimento digno, da tarifa zero, da segurança pública cidadã, da cultura em movimento, das ciclovias nas periferias, da limpeza dos rios, da preservação da Mata do Planalto e do Parque Jardim América, do fim da guerra às drogas, do carnaval de rua e popular.

Seu número é 99 pois ela representa os 99% da população. Izidora anda de ônibus e sofre diariamente com o transporte precário da capital, que favorece alguns poucos. Utiliza o posto de saúde, os hospitais, as escolas públicas, que são poucos e precários nas periferias. Izidora é todas nós, e, quando prefeita, vai batalhar por uma cidade mais humana.

Izidora está ameaçada de despejo

Um dos maiores conflitos fundiários da América Latina acontece na região norte de Belo Horizonte. Ali, 8.000 famílias lutam pelo direito previsto em constituição da moradia. O estado pretende despejá-las, para dar lugar a um projeto que vai beneficiar uma construtora amiga do poder.

Izidora, nossa futura prefeita, é também o nome da região onde vivem 30.000 pessoas na iminência de um despejo. Aquele lugar é tudo que têm, e elas estão dispostas a lutar por ele. O despejo pode ser um grande massacre.

O que os dois candidatos que estão no segundo turno já disseram sobre esse grande conflito fundiário? Nessas eleições, queremos Izidora nos debates.

Izidora é também Leonina

Em 2008, a maternidade de Venda Nova (antigo Hospital Dom Bosco) foi batizada de Leonina Leonor Ribeiro em homenagem a uma parteira tradicional nascida em 1883, que mais tarde tornou-se enfermeira e atuou de forma revolucionária na região. A "nova" maternidade conta com 6 quartos PPP (pré-parto, parto e puerpério imediato) com banheira. A obra terminou em 2009, mas até hoje suas portas estão fechadas. Há 7 (sete!) anos as belorizontinas já poderiam contar com a oferta de partos humanizados nessa estrutura supermoderna que está apodrecendo.

Izidora é Kambiwá

Mais de 5.000 indígenas vivem e transitam pela região metropolitana de Belo Horizonte. Em cada um deles está a potência da sabedoria dos povos originários, mas eles são constantemente apagados ou folclorizados - duas faces da mesma moeda.

Izidora é também indígena, e tem muito a nos ensinar. Belo Horizonte vem sendo vítima de um crescimento doentio – desmedido e nada orgânico – impulsionado por uma lógica de desenvolvimento que assassina os rios, as nascentes e as matas, que sempre foram – e são e serão – uma condição para a existência de vida no planeta. Os povos indígenas sempre souberam disso e foram os grandes guardiões da Natureza e da Mãe Terra, nunca perdendo a conexão com a compreensão da qual muitos se distanciaram: somos parte do corpo da terra.

Não vote em Branco, nem Nulo, vote Izidora
João Leite é voto em Branco. Kalil é voto nulo. A hora é de votar Izidora.

Votando 99, seu voto será oficialmente anulado (Izidora Leonina Kambiwá só não aparece nas urnas, mas está pelos pontos de ônibus, vilas e favelas). Mas quem disse que devemos compactuar com uma falsa polarização em que, qualquer que seja o resultado, beneficiará os mesmos donos do poder?

Mesmo com uma grande quantidade de votos nulos, a eleição não será anulada.

Mas Izidora estará nos debates.

E isso não é pouco.

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