segunda-feira, 16 de abril de 2018

Pequena ação por Marielle no Parque Lagoa do Nado

Para marcarmos os 30 dias do assassinato de Marielle Franco, no dia 14 de abril de 2018 no Parque Lagoa do Nado, entregamos 30 cartazes para 30 pessoas que se dispuseram a cuidar deles e a divulgar informações sobre Marielle.

Formamos uma pequena comitiva: Romeu, Luíza, Jorge, Francisco, Antônio e eu.

Também lembramos a cada pessoa que recebeu o cartaz que Marielle Franco é mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré. Socióloga com mestrado em Administração Pública. Foi eleita Vereadora da Câmara do Rio de Janeiro pelo PSOL, com 46.502 votos. Foi também Presidente da Comissão da Mulher da Câmara. No dia 14/03/2018 foi assassinada em um atentado ao carro onde estava. 13 Tiros atingiram o veículo, matando também o motorista Anderson Pedro Gomes.

Quem mandou matar Marielle mal podia imaginar que ela era semente, e que milhões de Marielles em todo mundo se levantariam no dia seguinte.

Quem desejar saber a verdade sobre Marielle Franco pode encontrar mais informações aqui:

https://www.mariellefranco.com.br

Abaixo algumas fotos de pessoas durante a ação, que nos autorizaram a reproduzir suas imagens neste blog.




















quinta-feira, 12 de abril de 2018

Um mês!



Amigas e amigos

Nessa semana, completa-se um mês da morte de Marielle e Anderson.

O tempo está passando e não temos a resposta de quem mandou matar Marielle. Precisamos mostrar, mais do que nunca, que nem o tempo nem nada vai nos calar.

Por isso, nesse sábado, 14 de abril, às 6 horas da manhã, exatamente quando completa um mês, vamos fazer o Amanhecer por Marielle e Anderson.

Assim que o sol surgir, vamos amanhecer colorindo praças e conversando com as pessoas, em todos os cantos do mundo, em um dia que será cheio de ações por Marielle e Anderson!

Escolha uma praça, uma estação de metrô, um muro ou um ponto da cidade para colocarem flores, cartolinas, e cartazes em homenagem à Marielle, às 6h de sábado, 14 de abril!

Saiba como organizar a sua ação de amanhecer ou junte-se a uma ação próxima de você no Mapa: http://mariellefranco.com.br/amanhecer

Eu estarei no Parque Lagoa do Nado (ver aqui o mapa do parque)
pendurando o desenho acima
nas árvores que ajudei a plantar e preservar.

LOR





quarta-feira, 11 de abril de 2018

Um livro e uma cartilha desenhados pelo Rafael Sete

Convido você para participar do nascimento de um livro e para conhecer uma cartilha feita para ajudar as pessoas a pararem de fumar.

Rafael, o Sete, herdou não apenas o nome, mas também a vocação do pintor renascentista e se tornou um cartunista jovem e talentoso e que está lançando seu primeiro livro de quadrinhos, uma coletânea de tiras que ele tem publicado em alguns jornais.

Quem gosta de humor e quadrinhos pode comprar antecipadamente seu exemplar participando do financiamento da edição (crowdfunding). Para ver o livro e saber como participar basta clicar aqui: https://www.catarse.me/msb

Rafael também é autor da excelente cartilha para ajudar as pessoas a pararem de fumar está disponível a partir de agora no site do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais gratuitamente (CLICAR AQUI PARA BAIXAR A CARTILHA ).

A cartilha traz informações importantes e dicas para parar de fumar.

A cartilha foi criada pela pneumologista infantil Dra. Maria das Graças Maria das Graças Rodrigues de Oliveira, médica do Grupo de Pneumologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG e da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Além dela, o roteiro foi proposto pelo Dr. Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues (LOR), médico, Professor Titular Aposentado da UFMG e Cartunista. A obra final foi realizada pelas excelentes ilustrações de Rafael Souza Sete, cartunista, quadrinista e artista gráfico.

A cartilha foi submetida e aprovada por diversos agentes de saúde do Hospital das Clínicas, do Sistema Único de Saúde, da Prefeitura de Belo Horizonte, do Instituto Nacional do Câncer, da Unimed BH e da Universidade Federal de Minas Gerais.

Vale a pena ver a cartilha e divulgá-la entre as pessoas que você conhece.

Vamos todos construir um mundo sem tabaco!

E vamos ajudar o Rafael a publicar o seu livro!




terça-feira, 3 de abril de 2018

Por que não publicar este cartum?

Estou impressionado com a barreira de silêncio imposta pelas autoridades em torno das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco. Posso estar enganado, mas não me recordo de outra investigação criminal de grande repercussão na mídia sem que nada tenha sido vazado durante cerca de três semanas.

Então, o jornal O Globo mostrou o medo implícito nas declarações de duas testemunhas oculares que ainda não haviam sido interrogadas pela polícia (VER AQUI ) Chamou atenção especialmente o seu relato de que os policiais que compareceram ao local do crime, e identificaram a vereadora assassinada, sugeriram às pessoas que estavam por perto que voltassem para suas casas: “Vocês não têm nada a fazer em casa?”, teriam dito, segundo as testemunhas entrevistadas. Como se desejassem poucas testemunhas do ocorrido.

Minha reação imediata foi fazer o cartum acima. Na verdade, é uma variante de uma tira que publiquei na década de oitenta na Now Sem Rumo, na qual um personagem é condenado a cinco anos por estar diante de um cartaz de protesto contra a ditadura do General Bunker. – Mas eu só li o que havia no cartaz! - reclama o prisioneiro. – Mais cinco anos por participação intelectual! - grita o general.

No entanto, desde ontem um desconforto me impedia de postar o cartum neste blog.

Uma das razões é que parecia estar cometendo alguma injustiça ao atribuir ao interventor militar a responsabilidade direta pelo inquérito policial, que na verdade está sob a responsabilidade da Polícia Civil, apesar de, em última instância, a responsabilidade geral pela segurança no Rio de Janeiro ser do general designado por Temer.

Além disso, o cartum sugere que o general teria interesse em ocultar os assassinos, o que não me parece verdadeiro. Pelo contrário, desde o fim da ditadura, creio que a maioria dos militares tem adotado uma atitude de respeito àquilo que é mais sagrado em sua missão: defender a democracia (ver entrevista do general Villas Bôas na revista Piauí AQUI), ainda que minha visão de democracia possa ser diferente da deles. 

E se o assassinato de Marielle se constitui numa ameaça à democracia, tenho certeza de que os militares compreendem a necessidade de esclarecermos quem a matou, quem mandou matar e porquê.

Então, por que não publicar este cartum?

Talvez porque ele contenha humor (injusto com a maioria dos militares, como disse acima) e o humor alivia a tensão, afasta a angústia, ameniza a dor do sofrimento pela perda de Marielle Franco e o significado político desta morte para nosso país.

Há momentos em que o humor pode contribuir para a banalização do mal.

Portanto, ainda não sou capaz de publicar este cartum, por isto escrevo esta declaração para desconstruir o seu humor.

Revogue-se o cartum.

Desimprima-se. 



domingo, 1 de abril de 2018

Feliz Pazcoa

Decidi celebrar o dia de hoje afastando de minha mente, pelo menos por um tempo, os meus pensamentos ruins.

Fechei os olhos e deixei de lado minha preocupação com o desmonte da democracia que estamos vivendo, com a dificuldade que teremos para eleger um congresso mais ético e diferente do atual e com a polarização violenta entre os candidatos.

Consegui colocar numa lata de lixo mental a imagem do Gilmar Mentes e tudo o que ele representa de arrogância, autocracia, auxílio-moradia e interesses escusos no poder judiciário.

Retirei do foco da minha atenção os amigos de Temer que foram presos e que ontem prestavam depoimento na Polícia Federal para esclarecer os detalhes da formação de sua quadrilha, mas que foram liberados em seguida, por ordem do Supremo, de forma bem diferente dos pobres que são presos e sem julgamento permanecem em presídios por muitos anos.

Esqueci num beco qualquer da memória que as grandes potências armadas de ogivas nucleares andam brincando de cuspir na cara uma das outras, expulsando diplomatas e atiçando a raiva geral com bravatas nacionalistas e xenofóbicas, arriscando a pele da humanidade num possível conflito geral incontrolável.

Consegui afastar a minha angústia permanente com o aquecimento global e as mudanças climáticas com suas consequências especialmente graves sobre as populações mais pobres.

Procurei não me lembrar o quanto as mulheres ainda são vulneráveis, oprimidas e violentadas em nossa cultura machista e misógina.

Controlei meu horror diante dos gays que são perseguidos e queimados vivos na Nigéria depois que o governo adotou uma linha radical do islamismo, de forma semelhante aos católicos e protestantes que queimavam bruxas há algum tempo atrás.

Enchi o peito fundo e prendi a respiração.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19...

Mas não consegui me esquecer que já se passaram 19 dias desde que Marielle Franco foi executada e ainda não sabemos quem a matou.



sábado, 31 de março de 2018

Desordem do dia

"A determinação é para apurar no menor prazo possível, então, [com] todos os esforços. Falei, inclusive, com o general Braga na sexta-feira para envidar todos os esforços e recursos disponíveis para logo solucionar essa questão", disse Michel Temer à imprensa (ver aqui) após a execução de Marielle Franco.

Fiquei pensando no que disse, de fato, o presidente substituto.

“A determinação”

Não há sujeito nesta ordem: quem determinou? Ao se eximir da autoria, ao fugir de sua responsabilidade, Temer evita de se posicionar contra seus amigos, tenta não desagradar seus amigos da bancada da bala e seus comparsas no (P)MDB 
infiltrados na polícia do Rio de Janeiro desde o governo de Moreira Franco, tornando-a ineficiente e corrupta.

“É para se apurar”

Ele quis dizer apurar no sentido de investigar ou com o significado de se montar uma encenação de que alguém está investigando a execução, enquanto a memória pública vai se esquecendo do crime, até que Marielle faça parta da lista de dezenas de líderes comunitários assassinados sem que seus executores tenham sido punidos.

Aliás, por que a “determinação” não foi para PUNIR os culpados?

“No menor prazo possível”

A introdução do termo “possível” abre espaço para que as dificuldades da polícia investigativa sejam usadas como pretexto para não haver prioridade na investigação de um crime claramente político como a morte de Marielle. Como se dissesse, tudo bem, coloquem ela na fila dos milhares de morte a serem esclarecidas somente no Rio de Janeiro neste ano.

“Então, com todos os esforços”
O presidente vaselina parece dizer que dependendo do tipo de assassinato há justificativa para se investigar com mais ou menos esforços. Quer dizer, mesmo mulher, negra, homossexual e defensora dos Direitos Humanos Marielle, dada a repercussão do crime, o presidente finge incluir a vereadora nos esforços que são feitos para o esclarecimento de um assassinato de um médico branco na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas, por exemplo.

“Falei, inclusive, com o general Braga na sexta feira”

Falou ou deu uma ordem como presidente? O general interventor no Rio de Janeiro por decreto do Temer, não está abaixo da hierarquia e deveria formalmente receber a incumbência de esclarecer o assassinato de Marielle? Mas, estando entre amigos, o presidente banana fala casualmente com o seu general, como se durante um cafezinho dissesse: - “Olha, se tiver um tempinho, dá um jeito aí nessa questão para acalmar a imprensa”.

“Envidar todos os esforços e recursos disponíveis”

“Envidar” é mais uma das formas pedantes usadas pelo presidente juridiquês para dizer que o outro faça do jeito que ele quiser, se possível, senão, deixa para lá. Também serve para nos dizer a qual classe Temer pertence de fato: aos ilustres ilustrados machos brancos da burguesia paulistana.

A repetição da palavra esforço na declaração de Temer é um recurso utilizado por ele para dar
ênfase naquilo que justamente ele não quer fazer. Ao acrescentar o termo “recursos” ele parece dar uma solução objetiva e pragmática ao problema, mas o próprio general Braga pediu 3 bilhões para custear a intervenção no Rio e Temer deu apenas 1,2 bilhões. Recursos de retórica e não financeiros, mais uma vez.

“Para logo solucionar”

Mais uma vez, a pressa em tirar o assunto do foco da opinião pública e o eufemismo, as palavras adocicadas para um evento trágico: “solucionar” seria encontrar os autores e suas ligações políticas? Ou apenas transformar a execução de uma pessoa defensora de determinadas ideias políticas num crime comum e destinado ao esquecimento?

“Essa questão”

Questão? Novamente a fuga verbal mesquinha do presidente acusado de inúmeros crimes de corrupção. Por meio das palavras neutras, indeterminadas, sem autoria, sem a dimensão humana do sofrimento humano, sem o cheiro do sangue de Marielle que ficou derramado no carro onde ela foi executada.

A declaração do presidente é uma espécie de salvo conduto para os criminosos de que eles passarão ocultos pela simulação de investigação que será realizada.

A não ser que Marielle Franco continue presente em nossas vidas e que a ONU nos ajude a descobrir os seus assassinos e mandantes.